Quando
se celebra o Dia Internacional dos Museus, recomenda-se uma visita a
exposição virtual “Até Couve de 19 Subiu”. Está exposta no Museu Mafalala, que
encontrou, pelas redes sociais - facebook e instagram - uma saída
para o confinamento. As pessoas podem visitar os museus – os que optaram por
esta via - sem sair de casa. Basta aceder à internet.
Este
ano, a data celebra-se sob o lema “Museus para a Igualdade: Diversidade e
Inclusão”. Isto, num ano atípico, por causa da pandemia da Covid-19, que
colocou a humanidade de joelhos. Numa crise sem precedentes, o novo Coronavírus
desnuda as desigualdades sociais.
A
pandemia da Covid-19, em abono da verdade, veio atrapalhar a festa que quase se
estragava por completo. Assim estava escrita a tragédia, com os museus fechados
e apreciadores em cumprimento da quarentena. Mas, alguma coisa havia de mudar,
diante da decisão de fechar os centros culturais da cidade de Maputo, quase
todos, na mesma semana, nos primórdios de Março.
Mas,
ainda assim, nem todas as casas da cultura aguentaram. Abriram as portas
discretamente. À vontade de se expor às pessoas, juntou-se o cívico dever de
continuar com a sua missão, sem desobedecer o Decreto Presidencial, que a
comunicação social já se cansara de espalhar.
Proibições
de reunião, por exemplo, de mais de 20 pessoas, tornam a vida dos museus mais
difíceis. Mas, foi diante da vontade de abrir-se ao mundo, que apareceu a
inovação. Nunca o mundo apostou tanto na tecnologia como fá-lo agora.
O
Museu Mafalala, presidido pelo activista Ivan Laranjeira, não ficou atrás.
Abriu-se para o mundo. Meteu as chaves na fechadura e destrancou as portas do
espaço. Abraçou a novidade trazida pelas novas tecnologias. Hoje mesmo, aquando
do Dia Mundial dos Museus, esta instituição deixou-se faz a sua festa, já
antecipada. Na sua galeria, está patente, desde a última sexta-feira (15), a
exposição “Até Couve de 19 Subiu.
“Até
Couve de 19 Subiu” estará patente durante 30 dias. Está exposta no Museu
Mafalala, instituição que há dois anos foi inaugurado e, deste modo, entrou na
contabilidade do espólio museológico nacional. A exposição tem por seu curador,
o artista plástico moçambicano, Nilziu Mota, que no mundo artístico responde
por Chicken. É desenvolvido pelo movimento “Nós Arte”. É virtual, podendo ser
acompanhada através das redes sociais, facebook e instagram.
Junta 19 artistas. Não ignora a pandemia. Tem na mesma o seu ponto de partida.
O seu nome deriva de Covid-19.
É um
nome oportuno.
Varia
também de duas coisas.
A
pronúncia (má ou boa) da nova doença. Também, das consequências da crise
causada pelo novo Coronavírus, em todo o mundo. Ou, por outro lado, das medidas
tomadas pelos países afectados pela nova pandemia, em resposta ao Estado de
Emergência, praticamente global.
E é
fácil de perceber. Os tempos de Covid-19 são sombrios. Tristes. Confinados. O
mundo atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história. O medo está a
reinar e o futuro é incerto. Neste intuito, a arte é chamada a cumprir com um
dos seus papéis.
Chicken,
o curador, e equipa estão cientes que a doença mata. Em todo o mundo foi
responsável, até agora, por milhares de mortes. Mas, no lugar de luto, há uma
luz no fundo do túnel. É esta esperança que a mesma exposição traz aos olhos do
seu apreciador. “É uma chamada de atenção para alguma coisa, que não seja
(exactamente) reflectir a situação actual da doença”, considera Chicken.
Também
há que recordar que a couve é um alimento. Como muito bem o dirá um bom
moçambicano. Daí que, a exposição pode estar a reflectir o fim da fartura ou o
seu interregno. Mas também, poderá estar a alertar para o facto de o novo
coronavírus aparecer depois de muitos males, como a guerra e, para este caso
particular, a fome. Já há muito tempo que o mundo anda rastejando. A exposição
também pode estar no facto de se encarar de uma forma errada a nova doença, que
Chicken alerta não ser “um negócio”, dai, haver necessidade de “nos
precavermos”, diante da mesma situação. É neste sentido que nasce “Até Couve de
19 Subiu”. “As obras têm a ver com a actual situação da doença e de especulação
de preços”, acrescenta o curador.