
A cerimónia de
imposição das insígnias aos dois escritores agraciados realiza-se na próxima
semana (4 de Dezembro) no salão nobre do Hotel Polana, em Maputo.
A atribuição destas
condecorações é, para o governo português, sinal inequívoco do apreço e do reconhecimento,
ao mais alto nível do Estado português, por estes dois escritores e
intelectuais moçambicanos, que se destacam pelo grande contributo que têm dado
para o enriquecimento das letras moçambicanas e para a divulgação de Moçambique
e das suas culturas a nível internacional.
Como refere o
Presidente português, Aníbal Cavaco Silva, na mensagem sobre as Ordens
Honoríficas, “a distinção, sob a forma de condecorações, do serviço prestado no
exercício de cargos públicos, do mérito artístico, científico ou empresarial, é
uma tradição que devemos cultivar, pelo prestígio que as Ordens Honoríficas
possuem para os agraciados e, acima de tudo, pela circunstância de permitirem
destacar personalidades e instituições verdadeiramente notáveis, que devem
servir de modelo à nossa sociedade”.
Paulina Chiziane e
Ungulani Ba Ka Khosa, que ontem participaram numa conferência de imprensa em
Maputo, mostraram-se "surpreendidos" com a atribuição do grau de
Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, homenagem aproveitaram para lançar
um apelo à paz em Moçambique.
“Este reconhecimento é
muito alto, então, quando o senhor embaixador (de Portugal em Moçambique, José
Augusto Duarte) chamou-me para fazer a comunicação, fiquei meio-zonza: ainda
não estou habituada a receber coisas boas. Foi uma grande e agradável
surpresa", disse à Lusa Paulina Chiziane, autora de obras como
"Niketche", "O Alegre Canto da Perdiz", "Na mão de
Deus" e o há poucas semanas lançado “Por Quem Vibram os Tambores do Além?”
Na conferência de
imprensa, os dois escritores aproveitaram o momento para "apelar para o
diálogo" entre o Governo moçambicano e a Renamo de modo a evitar a
violência que já vitimou várias pessoas.
"Recebo de braços
abertos esta homenagem de Portugal, que ontem foi inimigo, mas hoje caminha
junto com Moçambique. Com muita emoção, dedico esta homenagem à paz (em
Moçambique)", disse Paulina Chiziane.
Também Ungulani Ba Ka
Khosa, que garantiu ter ficado "meio atordoado" com a distinção, que
"estende a todos os outros escritores", dedicou à paz a homenagem que
lhe foi atribuída.
"Nunca pensei que
deste canto de Moçambique, não sendo um escritor dos grandes meios comerciais,
pudesse receber esta distinção", enfatizou Khosa.
"É à paz que
dedico este prémio", acrescentou o autor, que escreveu, entre outros
obras, "Ualalapi", "Orgia dos Loucos", "Histórias de
Amor e Espanto" e "Choriro", para além do seu mais recente,
“Entre as memórias Silenciadas”. Esta foi a primeira
distinção com a ordem honorífica do Infante D. Henrique recebida por escritores
moçambicanos, menção apenas atribuída aos antigos presidentes moçambicanos
Samora Moisés Machel e Joaquim Chissano, no grau de Grande Colar,
respetivamente, em 1982 e 1993.
thanks for sharing and god job
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