A artista pensa numa pomposa apresentação, digna de um trabalho
de qualidade e feito com amor, mas não quis avançar quaisquer detalhes a
respeito. Enquanto isso, convida aos seus fãs que saboreiem as músicas, pois o
CD está disponível na internet e nalguns pontos da cidade de Maputo.
Entretanto, não deixa de ser ela mesma o melhor ponto.“Eu compus as músicas,
assim como participei da co-produção do mesmo, estive dentro dos arranjos e
tudo mais...”, esta é uma voz de quem não é apenas dona de uma voz linda e
suave, mas de quem transpirou e deu tudo para este acontecimento. Já que a
música não é de todo uma actividade solitária em dois temas teve a colaboração
do Vintani Nafassi (préstimos em língua makonde) e D’Manyissa na faixa “Ubuya
hi kwini”, que por sinal ganhou algumas mexidas.Todo o álbum foi gravado na
vizinha África do Sul, onde Xixel esteve radicada por cinco anos (de 2006 à
2011). Logo é claro o motivo da cantora ter andado em três estúdios de Cape
Town a registar as suas criações naquele país que acolhe muitos músicos
moçambicanos e não só.
O tumulo de Zinthambira localiza-se no povoado de Folofia, a 10km da vila de Ulóngue. Zinthambira foi um régulo da dinastia Nguni, um grupo étnico que emigrou para se fixar na zona de Angónia,Provincia de Tete, Moçambique.Era um grupo guerreiro que lutou contra outras etnias moçambicanas e contra a ocupação dos Portugueses
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Filha de peixe sabe nadar!
Alavanca cultural
A cidade
dinamarquesa de Aarhus, a segunda cidade intelectual e cultural deste país, foi
considerada a capital europeia da cultura 2017. É nesta cidade onde reside o
músico Gimo Remane Mendes, antigo integrante da emblemática banda Eyuphuro. “É
a cidade onde sempre vivi e trabalho na escola de música já há 21 anos (saiu
vencedora e reconhecida a nível da Europa como a Capital Europeia todo o ano de
2017), naturalmente, trabalhando com o Conselho Municipal local como estrutura
política que tem a responsabilidade de orientar a sociedade em termos de
actividades culturais e outros serviços”, explica o músico Gimo Remane Mendes.
É nestes momentos que os artistas devem apelar mais para a questão da
reconciliação. Em tempos, o artista sabia desempenhar o seu papel na sociedade,
mas, actualmente, a situação é diferente, parece que estão indiferentes. Os
artistas são as figuras que dão voz à sociedade. É preciso ter isso em mente.
Saber cumprir o seu papel do desenvolvimento da sociedade. Não é uma tarefa
fácil. Mas é preciso enfrentar os obstáculos e cumprir o seu dever perante a
sociedade em que vive”, remata. A.S
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
“Comboio de Sal e Açúcar” estreia em Locarno
Locarno é mais do que uma cidade
para Licínio Azevedo, é, na verdade, um espaço de concretização de sonhos. E só
podia ser, pois é naquele ponto do mundo que decorre anualmente um dos cinco
maiores festivais de cinema. Há dois anos, naquela cidade turística da Suiça, o
realizador moçambicano viu a oportunidade de transformar o romance “Comboio de
Sal e Açúcar” em filme.
O projecto ganhou dois dos três
prémios disponíveis para apoiar a realização dos projectos cinematográficos de
vários países num fórum de financiamento denominado “Open Doors”. Foi
exactamente na 67ª edição do certame que o filme foi subsiado perante um júri
europeu, que envolvia televisões e agências governamentais. Entre 900 projectos,
“Comboio de Sal e Açúcar” foi um dos dois guiões premiados, o que garantiu o
início da sua produção.
Depois de Locarno – onde teve a
estreia internacional – o filme vai seguir por outros festivais. Em Outubro,
vai participar no Festival do Rio – maior montra do cinema ibero-americano, que
exibe filmes de Portugal, Espanha e América Latina –, depois está convidado
para Índia, no Festival de Goa, já com 60 anos de história e para vários
festivais que para Licínio Azevedo não é novidade, pois em alguns deles já
amealhou vários prémios. “Virgem Margarida” é um dos filmes que foi bastante
agraciado.
Na segunda fase da mostra, será
exibido para vários países onde estão os co-produtores – Suiça, França,
Portugal, Brasil, África do Sul e Moçambique – e outros países com
distribuidores já garantidos.
A terceira fase também já está
assegurada. A divulgação do filme, neste período, será em África, onde 17
países serão contemplados. “Eu acho que o filme vai cumprir com os meus ideais,
que é chegar ao grande público e sair desse esquema restrito que são os
festivais”, finaliza.
A longa-metragem de 90 minutos
que tem como principal elenco os moçambicanos António Nipita, Sabina Fonseca e
Melanie Rafael, o angolano Matamba Joaquim e o brasileiro Tiago Justino conta a
história de centenas de moçambicanos que viajavam de Nampula a Malawi para
trocar sal por açúcar. É um retrato dramático dos episódios da guerra civil que
inclui também uma história de amor.
“Comboio de Sal e Açúcar” é
baseado no livro homónimo que Licínio Azevedo escreveu há mais 15 anos.
Salas de cinema: rentabilidade
para a sétima arte
“A rentabilidade do cinema
depende da capacidade dos produtores conseguirem ter distribuidores”, assegura
Azevedo, acrescentando que que o cinema americano chega ao “grande público”
porque para cada um dólar investido para na produção de um filme, as vezes são
100 milhões, há um outro dólar investido na distribuição quando se faz a
publicidade e se chega às salas. “Nós infelizmente não temos isso. Já para
conseguir um milhão de dólares para fazer um filme de guerra é muito imagina o
dinheiro para distribuição”, lamenta. O realizador diz que esta triste
realidade abala o mercado africano, da América latina e grande parte da Europa.
Ou seja, um filme só é rentável quando há muitas salas de cinema e se o público
conseguir ver os filmes. O contrário disso, não haverá recursos para a
materialização de outros filmes, excepto guiões de realizadores já conhecidos.
E repete-se o ciclo, realizadores desses países voltam a concorrer para serem
premiados, tal como foi agora com “Comboio de Sal e Açúcar”.
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