sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Metalcore


Image result for Hora VitrumNuma altura em que a diversidade musical a nível do país equilibra-se em géneros “populares” eis que uma banda vem com uma contra-narrativa musical. São os “Hora Vitrum”. A paixão comum pela música é a aliança que os une formando uma banda musical. Uniram-se em 2015 para formar uma banda musical através do seu líder Aldo Kangomba. O género que lhes caracteriza é o “Metalcore”. Metalcore é no fundo um género de fusão que combina elementos de metal extremo e “hardcore punk”.
“Metalcore” é caracterizado por apresentar um vocal cutural que pode variar (death growl) aos mais agudos (fry). Apresenta um vocal melódico que canta de forma leve e harmoniosa, e contrastes com os gritos, as guitarras possuem afinações baixas, “riffs” rápidos e dobras, os baixos são rápidos e na maioria das vezes com uso de palhetas e a a bateria é veloz e alternando com condução e pedais duplos encaixando com as palhetas das guitarras e baixo.
A banda lançou em Junho do presente ano o seu primeiro single que pode ser obtido na Internet. O single intitulado “Mirror I Hate You” é já uma referência para os amantes deste estilo musical.
A aparição oficial da banda foi no maior concerto de Rock "Rockfest" em Novembro de 2017 numa altura em que a banda contava apenas com os vocalistas (Aldo & Skinner). Após essa apresentação os dois membros decidiram reestruturar a dinâmica da banda; e uma das atitudes perante a reestruturação foi a integração de novos membros e uso de novos instrumentos.
Image result for Hora Vitrum Actualmente fazem parte da banda: Aldo – Vocalista, Skinner – Vocalista, José "Wolf" Irachande – Guitarrista, Nuno "Blink" – Baterista e Rui Pereira - Baixista.
“Hora Vitrum” vai apresentar um show no Gil Vicente, Café e Bar, no dia 01 de Setembro pelas 18 horas. Trata-se dum show que pretende ser uma mostra daquilo que tem sido as investigações da banda e as produções recentes. A banda em uníssono informou que pretende, também, através desse show expandir a música do género “Rock – Metal” no país. São influenciados em suas formas de tocar e nas suas composições por diversas bandas espalhadas pelo mundo. Fica-se com a impressão de serem uma banda complexa em termos de influências de pontos de inspiração. “São muitas bandas que nos influenciam, mas podemos destacar as bandas ”As i lay dying, Eyes Set To kill, Paramore, Limp Bizkit, POD, Slipknot, Bullet For My Valentine, As Blood Runs Black e Korn”.”
“Paz interior? Quem tem paz interior certamente não deve trabalhar com arte. O artista sossegado não produz nada” disse uma vez a banda Korn em uma entrevista e essa frase caracteriza esse grupo; é inconformado, desassossegado e acima de tudo incansável na busca de novas formas de estar e fazer a música.

...também de Moçambique para o Haiti


Yara Costa acredita muito na contribuição do cinema e do documentário, em particular, na construção de um imaginário moçambicano. Segundo entende a realizadora de Entre eu e Deus – história sobre a adopção de um islão considerado “puro”, por uma jovem da Ilha de Moçambique –, os documentários devem reflectir os fenómenos que acontecem no quotidiano das sociedades, sem julgamento. E mais, a cineasta explica por que o documentário está “declínio” no país.
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Há dias estreou o seu terceiro filme, intitulado Entre eu e Deus. Aconteceu do jeito que previu? 
Não, superou muito as expectativas. Sabia que o filme iria criar interesse, mas não até termos de criar uma nova sessão porque houve gente que ficou de fora. A adesão foi tanta que, mesmo na segunda sessão, a sala ficou esgotada. Isso mostrou-me que eu estava equivocada, que existe essa demanda para filmes moçambicanos e para documentários. As pessoas querem ver-se retratadas no ecrã. Tivemos muito público diversificado na estreia de Entre eu e Deus.

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Este filme surge de um outro projecto cinematográfico seu. Como como tudo aconteceu?
A história começou há alguns anos, quando, em conversa com a Karen, eu disse que gostaria de fazer um filme sobre ela. Ano passado, surgiu a oportunidade, através de um concurso lançado pela União Europeia com os PALOP e Timor Leste, para celebrar 25 anos de parceria. Ganhei para Moçambique, o que me permitiu fazer a curta-metragem Vestindo a religião. No processo, aconteceu que o material era muito, então percebemos que era uma pena ter que contar uma história em tão pouco tempo, quando ainda havia muito por explorar. Então, fiz a curta com seis minutos e, ano depois, esta longa-metragem com uma hora.

Este filme lida com um assunto sensível: a religião. Que cuidados teve que ter na preparação do script?
Image result for Yara CostaQuando apresentei o projecto pela primeira vez, na residência artística onde participei antes de rodar o filme, houve pessoas que me disseram que tinha de ter muito cuidado. Alguns até disseram-me que, se estivessem no lugar, nem fariam o filme por mexer com muitas sensibilidades. Aí eu dizia que se calhar era por isso que gostava de fazer o filme, porque, se há um tema importante, que toca a tanta gente, temos que falar do mesmo. O que tentei fazer foi ser mais respeitosa, honesta e sincera possível, sem julgamentos e juízos de valor, mesmo porque este não é um filme sobre o que acho da religião. Não. É um filme sobre alguém que acho que tem uma história para contar. E eu contei a história da Karen por via das câmaras, ainda que não concorde com algumas posições dela – a Karen sabe e nós falamos disso antes.

Acredita que a Karen é uma jovem representativa da nova vaga de muçulmanos na Ilha de Moçambique?
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Ela não é única, dá a cara a um fenómeno geral, que não acontece apenas em Moçambique e com a religião islâmica. O filme tem várias camadas, e, uma delas é sobre o que é ser jovem hoje em dia nos nossos países, com tantas dificuldades, falta de referência e oportunidades. A Karen dá a cara a essa geração que faz suas escolhas, diferentes dos caminhos dos pais, o que fomenta um conflito de gerações porque os mais velhos acreditavam numa coisa e os mais novos noutra. 

Tenho a percepção de que a produção dos documentários está em decadência. Quais vêm a ser as causas?
Não temos um ambiente que encoraja a produção dos documentários. É uma pena porque, financeiramente, deve ser a forma mais viável de apostar, mas não há fomento à produção. Fico muito triste quando percebo que, sobretudo os mais novos, pensam que documentários são filmes institucionais ou de ONG.

Qual foi a maior dificuldade na produção deste filme?
Produzi-lo neste contexto sem cair em estereótipos e nem abordar o assunto que pudesse prejudicar muita gente.

O que significa fazer cinema para si?
É uma forma de me expressar. Adoro ouvir e contar histórias. Para mim, fazer cinema é isso, contar boas histórias, que nos ajudam a compreendermo-nos como seres humanos.
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O conflito é recorrente na sua obra. Além de Entre eu e Deus, A travessia e Por que aqui? também são filmes que se alicerçam ao conflito. Consegue explicar?
Talvez tenha a ver com o tipo de histórias que me atrai. Não é que goste do conflito, mas interessa-me perceber os motivos do conflito acontecer. Acredito que, assim, desperto as pessoas para os assuntos a acontecerem no nosso dia-a-dia, que não prestamos atenção.

Como acontece A travessia?
Related imageNa verdade, fui para o Haiti, em 2010, na altura da comemoração do ano dos afrodescendentes, um conceito muito recorrente na América. Como moçambicana que já havia vivido no Brasil, nos Estados Unidos e em Cuba, onde fiz extensão do curso de cinema, incomodada com esse conceito escutado nesses países, resolvi fazer um filme no qual as pessoas iriam-me explicar o que é ser afrodescendente. A ideia era filmar em Nova Iorque, num bairro negro, com forte ligação com África, e no Brasil, por ser um país com maior população negra fora de África. Foi quando me disseram que tinha de ir ao Haiti, a primeira República negra independente, em 1804, e que acabou com a escravatura muito antes dos Estados Unidos – a cartilha dos Direitos Humanos das Nações Unidas é baseada na constituição do Haiti daquela altura. Então foi parar àquele país para o conhecer. A ideia era ficar três semanas, mas acabei ficando dois anos. Percebi que o Haiti é imenso e que precisa de um filme, que ainda não fiz, está a amadurecer: Black material, uma história que começa na Ilha de Moçambique com a saída de um barco de escravos até Haiti, onde um africano preserva a identidade já perdida pelos seus, em África. A travessia surgiu porque o Haiti e a República Dominicana estão de costas viradas há muitos anos. Um país aceita a sua herança africana e outro não quer saber disso.

Com que cinema sonha para o seu país?
Related imageSonho com um cinema rico em histórias, que reflicta a nossa diversidade, riqueza cultural e que nos ajude a construir um país melhor, mais confortável para todos e não para alguns.

Sugestões artísticas para os leitores?
Sugiro o filme Memória em três actos, de Inadelso Cossa, e a expressão musical sobre Ilha de Moçambique.
Perfil
Yara Costa é realizadora moçambicana. Tem 36 anos de idade e formou-se em vários países: África do Sul, onde conclui estudos secundários; Brasil, onde, conclui estudos em jornalismo; Estados Unidos, onde fez mestrado em documentário, na Universidade de Nova York; e Cuba, onde fez extensão do curso de cinema. Em 2013, foi uma dos seis realizadores seleccionadas para a realização de documentário da Televisão Al Jazeera. É autora de três filmes: Por que aqui? Histórias chinesas em África; A travessia e Entre Eu e Deus.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A + cultural

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Moçambique tem mais de 7 mil grupos grupos culturais dos quais 54 por cento dedicam-se à dança, 18 por cento à música ligeira, 14 por cento são grupos corais, 8 por cento praticam a música tradicional e apenas 6 por cento fazem teatro. A maioria dos dançarinos encontram-se na Região Norte, particularmente na província do Niassa.
São 7.442 os grupos culturais existentes no nosso país, indica a Estatística da Cultura produzida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2017, dentre os quais 4.020 são praticantes de dança, 1.304 são praticantes de música ligeira, 1.044 grupos corais, 609 grupos de música tradicional e 465 agremiações teatrais.
Desse universo de grupos de dançarinos, cujo número já foi de 4.418 em 2014, a grande maioria está baseada na província do Niassa, 1.160, seguida pela província de Cabo Delgado, 753, a pela província de Nampula com 600 agrupamentos cadastrados.
Image result for festival Niassa 2018De acordo com o INE a maioria dos grupos de música ligeira estão na província de Inhambane, 363, na cidade de Maputo, 299, e na província do Niassa, 278.Relativamente aos grupos corais 361 estão sedeados na cidade de Maputo, 191 na província do Niassa e 164 existem na província de Manica. No que a música tradicional diz respeito o maior número de grupos foi cadastrado na cidade de Maputo, 179, seguida pela província do Niassa, 74, e pela província de Manica, 66. Já o teatro é mais praticado na província do Niassa, por 85 grupos, seguida pela província de Inhambane, com 82, e pela província de Manica, com 65 grupos identificados pelo Instituto Nacional de Estatística.