O tumulo de Zinthambira localiza-se no povoado de Folofia, a 10km da vila de Ulóngue. Zinthambira foi um régulo da dinastia Nguni, um grupo étnico que emigrou para se fixar na zona de Angónia,Provincia de Tete, Moçambique.Era um grupo guerreiro que lutou contra outras etnias moçambicanas e contra a ocupação dos Portugueses
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Guiça & Bango
terça-feira, 13 de março de 2018
Francoralidade
A 12ª edição da celebração da
Francofonia 2018 com tema “Oralidade” é celebrada em todo o país e as
cerimónias centrais terão lugar em Nampula.O programa desta edição propõe
concertos, cinema, teatro, desporto, literatura e ainda um diversificado leque
de eventos pedagógicos tais como: conferências, jornadas de portas abertas e
concursos.A programação é o resultado da participação dos parceiros da
Francofonia em Moçambique, constituídos pelas embaixadas de países membros e
observadores da francofonia-OIF (Argentina, Bélgica, Canadá, França, Marrocos,
Suíça, Vietname), o Governo de Moçambique, as Universidades (UP,ISRI, UEM), as
Associações (Associação Moçambicana dos Professores de Francês - AMPF),
Associação Moçambicana dos Jovens Francófonos - AMOJOF), o Centro Cultural
Franco-Moçambicano, o Instituto de Línguas, as Escolas secundárias
Moçambicanas, a Escola francesa “Lycée Gustave Eiffel”, a Escola portuguesa,
sem esquecer o apoio de diferentes patrocinadores (Movitel, Total, Namaacha e
Hotel Cardoso).
A cerimónia central da celebração está
marcada para dia 20 (Dia Internacional da Francofonia) no campus da UP em
Nampula, com representantes do Governo e das Embaixadas assim como com a
Madrinha para esta edição, a cantora Filomena Maricoa.
Acompanhada do saxofonista Muzila e do
percussionista Tony Paco, Lucrécia Paco, leva “Zambézia, 2061: La Cité de La
Grande Revolution”, ao palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano.Com texto e
encenação de Alain Kamal Martial,a obra é um monólogo musicado que pode ser
encarado como uma poesia-manifesto por uma África futura. E apresenta-se como celebração
de todo um povo. É, na verdade, o regresso às raízes, não para lamentar o
passado, mas para celebrá-lo pelo heroísmo e desenhar novas utopias.Lucrécia
Paco já também levou aos pacos outros monólogos de Alain Martial, como “A
Mulher Asfalto” e “Epílogo do Ventre”.
“Zambézia, 2061: La Cité de La Grande
Revolution” marca o regresso da actriz, depois de uma paragem pelos palcos.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Artistas, maiores embaixadores
É um artista do
jazz, que faz do saxofone sua língua. Como é exprimir-se por via deste
instrumento?
Para mim, o saxofone é a extensão
do meu corpo para poder exprimir os meus sentimentos.
Quem lhe escuta,
por exemplo, no seu último CD, Ubuntu (2015), sabe que canta a
sua terra em “Inta Mutlhangela”. É uma forma de se sentir em casa?
Definitivamente, não só, mas também
é uma forma de contar a minha história, origem e apresentar-me como africano e
moçambicano.
Compõe a pensar
na gente do seu país ou apenas preocupa-lhe ser um cidadão do mundo?
Componho baseando-me nas minhas
vivências, lugares em que passo, literatura, acontecimentos históricos,
tradição, pessoas influentes na minha vida ou experiência artística.
Como músico, tem
preocupações de desafiar o seu público a experimentar uma dor fictícia, quando,
por exemplo, toca “My Two Northern Lights” e “Talking to Myself” (Ubuntu), músicas
taciturnas e melancólicas?
Sim, adoro melancolia como uma
forma alternativa de expressão musical.
Ao mesmo tempo
que o CD nos desafia a uma meditação, também consegue nos pôr num modo
eufórico. São os casos de “Hamba Kahle” e “Dancing with Malala”. As suas
músicas traduzem o estado de espírito em que se encontra a compor?
Sim, como africano tenho este lado
eufórico com muita felicidade, dançante e expressivo. Acho natural para mim.
Ubuntué um CD com 53
minutos. O que mais lhe interessou transmitir nesse tempo?
Interessou-me transmitir uma
mensagem do modernismo urbano africano.
Todos os seus
álbuns têm uma música que os intitula. Há uma explicação?
Cada uma das musicas que intitula o
álbum mostra uma assinatura performativa e conceptual de cada álbum em geral.
Às vezes lhe
escuto e fico com a sensação de que as suas músicas deixam de exprimir muita
coisa. Por exemplo, “Celina” e “Mosambik” (Ndzunti, 2012) ou
“Felicidade” (Maganda, 2009). O que fica por dizer, depois da música ficar
pronta?
Pois… de certa forma, alguns
elementos inspiram-me a compor um determinado ritmo ou som. Por exemplo, a
música “Celina”, a entoação e ritmo foram inspiradas pela minha querida avó,
uma pessoa influente na minha vida. “Mosambik” é alegria natural do moçambicano
em geral, a nossa forma de dançar. “Felicidade” é inspirada por uma das pessoas
mais influentes da minha vida: a minha mama. Quando criança, dançava muito com
a minha própria mãe e esta vivência influenciou-me a compor.
“Pé descalço”
lembra-me um título de Casimiro Nhussi, “Sem sapato”. É uma condição de vida em
causa?
Uma condição de humildade perante
os desfavorecidos.
O que lhe dá
tanto gozo quando toca o universo que tem dentro de si?
Finalmente consigo exprimir-me,
exercendo a actividade pela qual tenho a maior paixão na vida.
No seu primeiro
álbum, Maganda, encontramos um
tema curioso: “Piece of Peace”. É a demonstração de um desejo?
Realmente, procurando um pedaço de
paz pelo qual possa trazer harmonia e tolerância no nosso universo.
Se colocasse a
questão nos seguinte termos: tocar é uma forma de voltar a casa ou de
conquistar o mundo, o que diria?
De conquistar o mundo, pois o mundo
das artes performativas deseja, de certa forma, uma contribuição única de novas
tradições.
Há dois temas de Maganda que me despertam
muito interesse: “Inkomo tatana” e “Shangana tsonga”. Quais são as estórias
destas músicas?
“Inkomo Tatana” foi escrito e
dedicado ao meu pai como guia/embaixador do fundamento da minha carreira
académica, tornando-se, assim, um visionário no meu ponto de vista. “Shangana
Tsonga” é dedicado ao meu grupo étnico, changanas, uma mistura dos povos Nguni,
sul-africanos e locais Tsongas, do Sul de Moçambique.
Quais são as
áreas de estudo que lhe interessam na sua área académica?
Música tradicional na religião
Africana, especificamente em Moçambique e África do Sul.
Que perde e
ganha por estar a fazer música fora do seu país?
Perco o diário consumo da nossa
linda música tradicional. Ganho uma enorme experiência e conhecimento sobre a
indústria internacional e acesso a diversas e interessantes tradições pelo
mundo fora.
Moçambique tem
grandes nomes do afro jazz e de outros estilos no estrangeiro. Acha que
conseguem comunicar?
Sim, com certeza. Nos meus vários
projectos e bandas já contribuíram alguns influentes músicos moçambicanos, como
Childo Tomás, Deodato Siquir, Isildo Novela e mais.
E essa
representação no estrangeiro consegue enaltecer a imagem do país?
Com certeza! Os maiores e
principais embaixadores culturais do pais são os artistas, escritores, pintores
e atletas.
O que lhe falta
tocar sobre o seu país?
Muito, pois o nosso país é rico e
muito diversificado culturalmente e linguisticamente, que há tanto que explorar
ainda.
Perfil
Ivan Mazuze é saxofonista, compositor e
membro do Conselho para Representante Oficial de Música e Dança Folclórico
Internacional e Nacional na Noruega. Igualmente, é líder artístico para o
Førdefestivalen, Festival de música tradicional e músicas do mundo;
Representante e Embaixador Cultural para Noruega na Diáspora do Género World
Jazz através das Organizações Music Norway, Arts Council Norway e Forum de Jazz
da Noruega.
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