segunda-feira, 29 de março de 2021

The Dreamer

É o nome artístico de Munhale Pompílio, de 24 anos de idade, nascido e residente na pro-víncia de sofala, no bairro da manga. técnico de laboratório na Universidade Católica de moçambique,thedreameré também músico, praticante do género musical Gospel r&B e louvor à adoração, tendo na música Gospel a sua vida e paixão, transmitindo através dela o melhor para as pessoas.Para ele, a música tem uma grande importância para a contemporaneidade e não só, acreditando que esta pode ser uma fonte para que as pessoas possam mudar de vida e sentirem-se inspiradas, pois o tom e a melodia tem o poder de tocar o íntimo de uma pessoa e através da combinação desses instrumentos poder viajar e trazer a pessoa à realidade e contribuir de forma positiva.“As minhas músicas inspiram e ajudam os jovens a livrar-se dos vícios e con-tribuem de forma positiva para a sociedade”, afirma. A paixão pela música surge em tenra idade, desde muito cedo gostou de cantar. A sua mãe (Helena Tembo Selemane) sempre o viu cantar debaixo da árvore, isso aos 8 anos de ida-de, e já o chamava de cantor. “A música entra na minha vida no ano de 2014, quando saio da cidade da Beira para morar em Chimoio, em missão de estudos, onde tive a oportunidade de ser convidado a participar num culto evangélico de jovens. Estes cantavam com toda a alma e espírito,e foi daí que disse no fundo de mim que aqui é o meu lugar”, afirma. Então começou a cantar e encantar, e por ter essa grande capacidade e carisma é dado uma grande responsabilidade, tornando-se o responsável pelo grupo coral, onde teve a oportunidade de aprender muita técnica e capacidade vocal ligada ao mundo musical.

TheDreamer tem 4 faixas gravadas que farão parte da sua primeira EP, que contará com 9 músicas, onde as 4 mú-sicasjá são conhecidas e as res-tantesserão apenas novidades, tendo já participado num con-curso de melhor grupo coral “As vozes do Chimoio”.Masa nível individual ainda não pa-ticipou em nenhum concurso.O artista afirma ter já ultrapassado várias dificuldades por ser praticante da música Gospel e muita gente duvidar do tipo de música que faz, alguns até chegaram a dizer que no mercado não havia espaço para esse estilo musical, contu-do continuoua insistir sem dar ouvidos aos rumores das pes-soas e amigos, e nessa altura tinha como suporte a sua mãe, dando-lhe suporte sempre. “Quando gravei a primeira música intitulada A tua graça levei para algumas rádios e não tocaram as minhas músi-cas.Sou contra a corrupção, e pagar algum valor para tocar a minha música não seria por mérito do meu trabalho.Eu queria que fosse diferente a recepção da música e um tempo depois, quando começaram a ouvir a música através de dispositivos como celular e Bluetooth, nas ruas, começaram a solicitar--me para participar dos programas de rádio.”A tua graça” hoje é um sucesso”, sublinha.

Questionado sobre a situação actual da música mo-çambicana tendo em conta a pandemia da Covid-19, o artista começa por dizer que é “complicado falar disso, mas a Covid-19 veio para ficar e temos que nos reinventar nesta nova realidade sem showsque envolvem o calor do público.Aproveito este tempo para trabalhar ainda mais no estúdio para trazer no mercado músicas de boa qualidade”.Apesar de passar muito tempo no estúdio de modo a melhorar e trazer músicas de boa qualidade, o artista também tem feito Lives com a banda “Ceo-Worship”, uma banda da sua igreja. “Acredito que a arma para o sucesso estánas nossas mãos, que os jovens façam músicas que falam de amor, fé, superação de modo a ajudar a re-cuperar os jovens perdidos nas drogas, na prostituição, e acredito que essa é a nossa missão. Escutar músicas moçambicanas e valorizar o que é nosso, mesmo que seja umes-tilo diferente”, aconselha.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Ainda Ao Meu Irmão Carlitos

Mano

Envolveram-te em chumbo

como se blindada

a tua voz de vez se calasse.

 

Mas tu estás aqui

nas minhas palavras

nos meus gestos

no meu sorriso.

 

Continuas vivo

para além do chumbo

e da terra coalhada de cruzes.

 

Lembras-te

de quanto odiávamos a injustiça?

Lembras-te

de quanto odiávamos os mortos inúteis?

Hoje

és mais um entre eles.

 

Na Malanga

alguns dos teus e meus grandes amigos

desapareceram para sempre.

 

Partiram ao teu encontro

sem balas no corpo

mas bem recheados de bacilos e álcool.

 

O sítio onde crescemos

morreu também.


Pás escavadoras roubaram todos os trilhos

e na próxima primavera

não haverá mais malmequeres

na ladeira de Minkokweni.

 

Restarás apenas tu com a minha voz.

 

Calane da Silva

Lourenço Marques, 20 de Outubro de 1945 — Maputo, 29 de janeiro de 2021